Entrevista

Gisele Mirabai, vencedora do Prêmio Kindle de Literatura, fala com o FAZMELER

Gisele Mirabai começou 2017 bem. A notícia chegou em logo em janeiro. A escritora desbancou mais de 2 mil títulos e venceu o Prêmio Kindle de Literatura conquistando a publicação pela Nova Fronteira e R$20 mil reais.

Machamba, o romance vencedor do prêmio, conta a história de uma mulher que leva uma vida desregrada em Londres e resolve viajar pelo mundo, conhecendo civilizações antigas. Agora, com uma casa editorial tradicional, Machamba será lançado no meio do ano.

Gisele é caseira, do tipo que não dispensa estar com os filhos, curtir o silêncio ou olhar para a janela e pensar na vida. Mas não se enganem, Mirabai não para. A autora escreve a biografia de um garoto portador de esclerose que, apenas com o movimento dos olhos, coordena o maior portal de mobilidade urbana da América Latina. Ela também dá continuidade à saga juvenil Guerreiras de Gaia e se prepara para organizar os relatos da nova expedição do marido: uma travessia a cavalo pela Mongólia.

Conheça um pouco mais do trabalho de Gisele através da entrevista exclusiva ao FAZMELER.

Em que momento você percebeu que queria tornar da escrita sua profissão? Como foi esse processo?

Aos 19 anos, enquanto cursava a Faculdade de Artes Cênicas, fiz um curso de Criatividade e descobri que o que eu gostava mesmo era escrever. No curso havia alguns exercícios para puxar memórias, e então fui me lembrando de que sempre fazia redações diferentes na escola, que as professoras escolhiam para ler em voz alta. Lembrar disso foi como reencontrar um tesouro. Daí para começar a escrever livros, foi um pulo. E escrevendo, descobri que poderia trabalhar fazendo o que eu mais gosto: ficar em casa (risos).

Sua carreira também está ligada ao cinema. Como você concilia tudo?

Apesar de já ter experimentado algumas funções no cinema, sem dúvida o que mais se adequou à minha vida foi o roteiro. Durante os meus vinte e poucos anos, me permiti experimentar de tudo, fiz vários curtas metragens até descobrir que o que eu queria mesmo era escrever as histórias, imaginá-las, criá-las. Por isso, hoje em dia é bem mais fácil conciliar literatura e cinema. Meu set de filmagem se resume apenas ao meu computador.

O que você prefere: atuar ou escrever?

Escrever. Lembro que, quando atuei em televisão, até mesmo quando fiz teatro, eu tinha a sensação de que não estava no lugar adequado. Eu me sentia uma peça da engrenagem, e o que eu queria mesmo era operar a máquina. Sem falar que ator precisa sair sempre, fazer testes, gravar até tarde, apresentar peça nos fins de semana e eu, como falei, adoro trabalhar em casa. Acho atuar uma delícia, mas gravar o meu canal no youtube já supre essa minha necessidade.

“Ainda falta estabelecer a ponte entre o tradicional e o contemporâneo” – Gisele Mirabai

A sinopse de Homem Livre é cativante por si só. Como surgiu a ideia do filme?

Homem Livre é um documentário sobre a viagem do Danilo, que deu a volta ao mundo de bicicleta, pedalando por 59 países. E Danilo, por acaso, é meu marido (risos). Na época, éramos namorados e eu queria ajudá-lo a fazer o projeto do filme e do livro dessa travessia. Sempre que conseguia, eu viajava para encontrá-lo, e também para fazer pesquisas para minhas histórias (Machamba, por exemplo, nasceu dessas viagens).

Foi sua primeira experiência com roteiro e direção de um longa?

Foi minha primeira (e única) experiência com direção de longa-metragem, mas roteiro, eu já tinha escrito. Fizemos o projeto do filme Homem Livre, conseguimos o patrocínio e eu, que assinaria apenas o roteiro, acabei assumindo também a direção, até pela própria dinâmica da viagem.

Gisele em viagem à Índia durante processo de escrita do romance Machamba

 

Você venceu o Prêmio Kindle de Literatura! O que passou pela sua mente no momento em que você descobriu ser a vencedora do concurso?

Foi bem emocionante. Acho que fiquei meio em choque, pois alguém da Amazon precisou me cutucar para eu ir lá na frente receber o prêmio (risos). Fiz uma listinha de agradecimentos, caso ganhasse, e aproveitei esse momento para agradecer a todos os leitores que me ajudaram em meu caminho e, sobretudo, a todos que estavam ali presentes, loucos e aventureiros como eu, que trabalham com o mundo do livro, esse objeto pequeno, singular e revolucionário, que cuida do passado e transforma o futuro.

Qual é a história de Machamba (livro vencedor do Prêmio Kindle)?

É a história de uma garota que cresceu numa fazenda em Minas Gerais, em meio a cavalos e pés de laranja, lendo as Enciclopédias das Antigas Civilizações com o pai. Agora, ela é uma mulher em Londres que leva a vida de forma perdida. Nem ela mesma sabe o que aconteceu com a própria história. Até que começa uma viagem pelas antigas civilizações do planeta, Grécia, Turquia, Israel, Egito, e quanto mais caminha pelas ruínas do mundo, mais viaja em direção ao seu passado e ao Elo Perdido, o episódio fatídico que mudou para sempre o curso de sua vida.

Como foi o processo de pesquisa de Machamba? Parece ter sido bem intenso…

Sim, foi intenso e ao mesmo tempo muito prazeroso. Sou fascinada por assuntos que envolvem religião, mitologia e antigas civilizações, e acho que o que fiz em Machamba foi compilar um conhecimento que tinha acumulado em vários anos de leitura apaixonada, somado às viagens, onde pude ir até lá e ver pessoalmente as ruínas. Alguns dos países do livro, eu nunca fui, ficaram só na pesquisa mesmo, como Israel e Egito. Talvez por isso sejam os meus preferidos, pois foram algumas semanas de criação literária deliciosa, pesquisando fotos, blogs e Google maps.

Você já tinha enviado o romance para outras editoras?

Sim. Confiava muito no livro e o enviei para grandes editoras. Uma delas me deixou na geladeira, esperando uma resposta por quase dois anos. Outras, nem sequer me responderam.

Mmachamba disponível na Amazon // Foto: Julio Vilela

A editora da Nova Fronteira, Daniele Cajueiro, disse que seu livro está abrindo novamente as portas para a ficção contemporânea brasileira na Editora. Como você se vê com tamanha responsabilidade?

Vejo isso como uma grande oportunidade de criar espaço para novos bons autores e, se tudo correr bem, ampliar o público de leitores de ficção contemporânea, que ainda é muito restrito. Gerar e incentivar um novo movimento de leitura de jovens escritores nacionais seria fantástico.

Como você analisa o mercado editorial em seu Estado e o onde você acha que falta investimento?

Acho que o mercado editorial enfrenta uma grande crise, como todos os outros setores do país. Sem dúvida, falta investimento em atos de promoção da leitura e no incentivo a autores nacionais. Também acho que é preciso estabelecer mais a ponte entre o tradicional e o contemporâneo. Dou palestras em escolas e, mesmo com a conexão digital, muitos alunos ainda acham que autor de livro é um velhinho numa foto em preto e branco, que já morreu. Por isso, acredito que estreitar cada vez mais os laços entre escritor, leitor, redes sociais, cinema, tevê, leitura digital é um caminho promissor para o mundo do livro.

Como você pretende utilizar o prêmio em dinheiro?

Quem trabalha com arte, sabe que é uma profissão de altos e baixos. Como disse a atriz Dira Paes, em um voo que pegamos juntas certa vez, quando entra algum dinheiro, o artista investe na própria carreira e, se sobrar algo, ele poupa.

 

 

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